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LEELA EM SALVADOR:
"Bianca Jhordão (vocal e guitarra) à frente do Leela, que depois de anos batalhando no `underground´ vive a transição para o `mainstream´
O Festival de Verão Salvador, cuja oitava edição acontece entre os próximos dias 10e 5 no Parque de Exposições, é um evento de massa, 100% mainstream e de programação eclética. Em festival assim, quem busca novas tendências e artistas alternativos deve prestar mais atenção no palco secundário do que no principal.
Denominado Guetho Square, o palco alternativo do Festival de Verão apresenta na noite de abertura, por exemplo, shows do Leela, Luxúria (veja boxe) e Medulla, grupo liderado pelos gêmeos adolescentes Keops e Raoni (recifenses radicados no Rio) e com CD recém-lançado pela Sony BMG e co-produzido pelo baiano Peu.
Com a bela e loira Bianca Jhordão (vocal, guitarra) à frente, Leela é uma banda carioca de origem underground em plena transição para a maior exposição do grande mercado. Não por acaso, faturou o VMB 2005 de artista revelação, fruto da repercussão do seu primeiro e homônimo álbum, editado pela major EMI.
"O ano passado foi maravilhoso. Depois de anos ralando, é ótimo quando as coisas começam a acontecer mais. Além do prêmio da MTV, fomos indicados ao Grammy latino na categoria melhor álbum de rock e concorremos como revelação no Faustão e no canal Nickelodeon", afirma Bianca, 28, por telefone, do Rio.
E o Leela ("brincadeira dos deuses" no hinduísmo) sabe muito bem o que significa ralar no underground. Formada em 2000 por ex-integrantes do Polux e do Moebius, a banda fez cem shows em três anos pelo país antes de assinar com a EMI através do produtor Rick Bonadio (Charlie Brown Jr., Acústico MTV Ira!, Rouge).
"Estamos em fase de transição realmente entre o underground e o mainstream. É um trabalho de formiguinha. Temos feito mais shows, sobretudo em São Paulo e Minas Gerais, e queremos agilizar uma turnê pelo Nordeste aproveitando a ida ao Festival de Verão. Já está dando para viver apenas da banda", conta.
O guitarrista e marido Rodrigo Brandão, 31 (filho do veterano Arnaldo Brandão, do Brylho e Hanoi Hanoi), lembra que outra coisa boa atual é não ter mais que lidar diretamente com contratante de show, discutir cachê. "Já temos uma estrutura melhor, uma equipe de produção de dez pessoas, um escritório que cuida dos shows. Sobra mais tempo para cuidar da criação musical".
A música que chamou a atenção para o vibrante power pop do Leela, que filtra diversas influências (Pixies, Smashing Pumpkins e Nirvana, entre elas), foi Te procuro, uma boa balada pesada. Atualmente, o grupo trabalha o rock irônico Eu odeio gostar de você: "Eu odeio esperar a noite inteira e você não aparecer/ Eu odeio pintar meu cabelo e você não reparar".
Pelo fato de Bianca ser também a letrista do Leela, as canções têm um olhar de garota decidida. Sabiamente, Rodrigo, Luciano Grossman (bateria) e Tchago (baixo) relaxam e gozam. O toque feminino é um charme a mais no rock do grupo que entra em estúdio em abril para gravar o segundo CD (a ser lançado em junho) e enfrenta um curioso efeito colateral da crescente exposição.
"Tem gente que me chama de Leela. Fala: `Ei Leela, me dá um autógrafo?´. Como o grupo tem nome feminino e o vocalista é mulher, eles confundem (risos). Com o tempo, saberão diferenciar. Talvez isso ocorra por causa do sucesso de Pitty, que é mulher e que costuma chamar a banda dela de Pitty", conta Bianca.
E o que você acha do grande sucesso de Pitty, Bianca? "Acho ótimo. Já tocamos juntas no tempo do underground, inclusive aí em Salvador, no tempo em que tinha o Polux. O sucesso dela faz com que apareçam mais bandas de rock com garotas. Por falar na Bahia, estamos ansiosos pelo show no festival. A gente recebe e-mails da turma daí", diz. Sejam bem-vindos, pois não.
(Correio da Bahia)
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clubeveroquefaco@gmail.com às 2:13 PM
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